quarta-feira, 9 de agosto de 2017

É tarde demais



Imagem de girl

A música já acabou, você foi embora e eu fiquei no lado esquerdo da sala. Fiquei com os livros, as canções, os poemas, as fotos e tantas recordações. Continuei juntando todo o sentimento e tentando concertar o coração que despedaçou-se com sua partida misturada ao arrependimento de ter tido inúmeras oportunidades, diversas chaces e por não ter aproveitado da forma correta. Não teve jeito, você resolveu não ficar.

Foi embora repetindo que ainda havia amor, mas que esse alguém aqui muito já te machucou. Disse ainda que conheceu outro alguém e que não sabe o que está sentindo por ela. Por favor, não me coloque nessa sua bagunça sentimental, nesse seu coração que está ao avesso, quando eu, depois de tanto tempo, reconheço meus erros fatais e te peço pra ficar e você não fica.

Difícil foi ouvir tudo isso e mais um pouco sem chorar, engasgada com tantas palavras e lembranças de momentos que se tornaram inesquecíveis. Mas o que doeu mais, foi me sentir culpada sozinha, ter me sentido sobrecarregada pela forma que você me apontou, sem dó.

Após nossa despedida meio sem graça, sem cor e ainda com o sabor do nosso beijo, senti raiva de mim, senti uma raiva que foi partindo minha alma durante seis dias, que se arrastaram sem pena. 

Tentei voltar, te procurei, enviei mensagem, liguei, até que por fim, vi sua nova foto com ela. Doeu muito ver a cena de quatro anos atrás se repetindo, em uma quarta-feira pela manhã. Você agora tem alguém, mas antes de me culpar mais uma vez, saiba que já errou comigo também.

A culpa foi e é do conjunto, das desculpas, do orgulho, das ausências, do tempo, de nós.
E se você não reparou, até eu ver essa foto... Ainda estava aqui te esperando voltar.
Mas agora é tarde demais, porque se você conseguiu, chegou a minha vez de tentar me curar.

domingo, 2 de julho de 2017

Lugar certo


Quero escrever bonito, mesmo sendo bem simples
na intenção de te mostrar o quanto aquele dia foi feito para eu mudar.
Tudo sem muita programação, mas sorte minha foi chegar e me deparar com seu olhar.
Foi aí que tive a certeza de que ali era meu lugar, ali era onde eu devia estar. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Dá um tempo, menina


Todo dia está sendo um caso sério, uma dificuldade para escrever, para esquecer, para lembrar o que devia ser lembrado, dificuldade em me alimentar direito, de realizar exercício físico, mental, dificuldade pra responder a pergunta "você está bem?" de forma sincera "sim, e feliz". 

Todo dia que passa exijo mais de mim, e só agora venho percebendo a má administradora de minha própria vida que estou sendo. Uma chefe terrível, dona dos piores julgamentos, de duras críticas e de pena alguma do espírito que agora escreve.

A ficha caiu quando separei uma caixa para os remédios que comprei nas últimas três semanas, onde tinha para o estômago, para dor de cabeça, para gripe, para tosse, para garganta, vitamina C, vitamina D, pastilhas, e tal. A ficha caiu quando de manhãzinha a dona da farmácia me chamou pelo nome. E a ficha caiu, de novo, quando vi o extrato da conta e só tinha nome de drogaria.

Se você me perguntar o que houve, não vou saber te responder direito. Mas é que por dentro eu não estou bem, acho que ao invés de todos esses remédios, eu estava precisando de uma dose de colo, dois comprimidos de amor, duas doses de paciência, uma pastilha de abraço, um comprimido de entendimento, uma vitamina de fé e um floral pra ter sono bom.

Pra ser sincera, não tive dó nenhuma. Exigi demais da minha mente, do meu corpo, das minhas atitudes, dos meus pensamentos e até das respostas que eu poderia dar caso alguém fosse me perguntar algo. E a verdade é que não vou ser boa sempre, muito menos ao próximo se não estou sendo boa comigo mesma, e que por muito menos já era pra eu ter pirado ou me jogado do décimo quinto andar no intuito absurdo de me livrar dos pesos que eu mesma coloquei nos ombros.

Contei tudo a minha analista, que sem pestanejar já veio com uma pergunta "por que você se cobra e se culpa tanto?". Olhei pra ela, como quem diz: é o meu dever, minha obrigação, não me colocar 20 nem 30 por cento, e sim duzentos. Mas com medo do que ela pudesse falar em seguida, por ser sempre muito inteligente e intrigante, soltei um: "é, eu tenho disso". Reconheci.

Ela ainda me deu duas opções, continuar nesse movimento absurdo e abusivo comigo mesma, ou procurar um socorro, sabendo pedir ajuda a quem eu quisesse: a natureza, a Deus, a qualquer energia. Mas é preciso sorrir de volta pra vida e entender que nem sempre vou conseguir dar conta de tudo, e que quando, sem forças estiver, é melhor nem tentar, uma noite bem dormida vai me deixar mais realizada do que bater todo dia na ponta de uma faca que só me machuca.

Caso dê para começar a academia amanhã, TUDO BEM. Caso não dê, TUDO BEM TAMBÉM. Caso dê para comer salada no almoço, TUDO BEM. Mas se só tiver um sanduíche de ricota, TUDO BEM TAMBÉM. Caso dê para tomar dois litros de água pela manhã, TUDO BEM. Caso não dê, TUDO BEM TAMBÉM. Caso eu consiga estudar todo o conteúdo para o dia seguinte, TUDO BEM. Mas se não der para estudar nem metade, TUDO BEM TAMBÉM. Caso eu consiga ligar para minha mãe no final da noite para fazer o resumo do dia, TUDO BEM. Mas caso eu durma antes, TUDO BEM TAMBÉM.

Chega de exigir demais.
Tudo bem?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Um dia para esquecer



Hoje eu só quero dizer que as coisas não vão bem. Só quero dizer que passei o dia me julgando, criticando tudo aquilo que não fiz, tudo que não consegui. Apontei todos os dedos contra mim de forma que eu me culpasse sem dó por estar pela terceira semana doente. Não tive pena, fui furiosa frente ao espelho, gritei, chorei, me joguei na cama, joguei o celular contra a parede e derrubei o café na mesa. 

É que eu só reparei tudo aquilo que não deu certo, dei atenção a tudo que me machuca, briguei com tudo e todos, me xinguei e não dei certo nem comigo mesma. Fiquei mal com vontade de me atirar pela janela e depois subir as escadas só para me jogar de novo, e assim sucessivamente. Furiosa. 

O sofrimento tem dessas coisas, ele me fez sentir penalizada por tudo aquilo que passou e tudo que está acontecendo, e é triste demais viver assim. Eu não quero lembrar de como meu maio começou, porque eu já queria que acabasse, assim, de fato. 

É saudade demais no peito, é vontade de reviver momentos; tenho várias frases entaladas, tenho raiva, cansaço e mágoas. E hoje, dia primeiro, tudo me sufocou. Tem uma universidade nas costas, pesada, uma semana de provas, falta de concentração e vontade de dormir para esquecer todas as coisas. Por outro lado, queria ouvir todas minhas músicas no último volume sem ter dó da vizinhança.

Apesar de toda essa crise, senti falta de alguém pegar minha mão e me convidar pra caminhar junto, de dividir o café e comprar o remédio pra minha tosse. Senti vontade de alguém bater na porta com um pote de mel e gengibre pra melhorar toda e qualquer gripe. Quis que alguém me colocasse no colo e mexesse no meu cabelo sem dizer nada, mas que ouvisse meu silêncio, assim, calmo e quieto.

Desejei, bem no fundo, que tivesse um amor puro do meu lado, que mesmo em minha crise existencial, insistisse em ficar, só pra ver as lágrimas rolarem e ir limpando uma por uma, só pra eu não me sentir assim tão só, mesmo sabendo que a gente tem que ser completo sozinho. Mas e quando você não quer estar tão sozinho assim? Quem vai julgar? Nem sempre dá pra carregar o mundo com duas mãos.

É que eu só queria reconhecer as coisas boas da vida, porque hoje eu só apontei o que doeu e ainda machuca aqui dentro. Hoje foi um dia atípico, triste, solitário e sem graça. Teve choro, desespero, tristeza, saudade e até pena. Que pena, não acho que ninguém mereça um dia assim, mas foi. 

Desejo para amanhã um novo dia, esperança, paz na alma e sossego.
Desejo para vida alguém para segurar a mão e caminhar junto.
No inverno, esquentar e no calor dançar, andando junto.

sábado, 29 de abril de 2017

Guardei


Desculpa estar enviando esse email assim tão tarde, na virada de sexta para sábado, no momento que você esperou que eu estivesse em uma balada louca de São Paulo ou de Porto Alegre. Mas é que doido mesmo está sendo pensar em tudo que passamos e por simplesmente não estar conseguindo continuar assim tão fácil como você.

Só queria saber se é pra eu pegar todas as canções que você escreveu, todos os bilhetes que deixou junto as flores, todos os presentes e simplesmente jogar tudo fora? Só queria saber se é pra eu fingir que não tem mais fotos nossas pela casa, nem no computador, nem no meu celular, nem no tablet, nem na gaveta, nem dentro do carro, nem dentro do caderno? Dá pra ignorar, apenas?

Queria te perguntar se é pra jogar seu travesseiro fora, se é pra doar todos os pelúcias, e queria saber o que é pra dizer para o Mash que não para de me olhar te esperando voltar com um pacote de ração? Não dá mais para encará-lo sem uma resposta decente e muito menos sem a que eu sei que ele quer receber.

Essa noite estou mais do que intrigada, estou com o coração na mão por ter visto seu novo perfil na internet com a foto de uma mulher que não sou eu, como quem assume, assim, sem a menor ideia do de como vai afetar do outro lado. E esse lado que quero dizer, é de quem escreve.

O problema todo é que agora me culpo, sem dó. Jogo todo esse presente contra mim por não ter cuidado do passado. Julgo um futuro sem você, com raiva de quem sou e tudo que podia ter feito e não fiz.

domingo, 23 de abril de 2017

Que saudade

Imagem de beach, child, and lové

Oi paizinho,
como está aí no céu?

Eu espero que você esteja no lugar mais iluminado de todos, em paz e lembrando da gente de uma forma tão bonita. Meu coração tem pensando muito em tudo que viveu ao seu lado, e foi lindo. Como sinto saudade da sua voz, do seu cheiro, seu abraço, sua risada e alegria sem igual.

Ah pai, como você acreditava no que eu dizia, como apostava suas fichas de uma forma tão generosa e confiante. Você sempre foi minha parte mais incrível, meu sorriso mais sincero e sempre despertou o melhor que existe aqui.

Hoje lembrei de você quando levantei, quando fui pra cidade grande e lembrei de nossas conversas e as músicas que ouvíamos nas estradas. Na verdade eu sempre lembro, quando compro água, vou ao mercado, vou dormir, quando acordo, quando penso em ter um novo sonho, quando percebo o quanto somos parecidos. 

É tão bom ter seu sangue correndo aqui dentro de mim. Você é feito tatuagem na minha alma, indescritível. 

Hoje quando fui ao shopping comi tudo que queria e lembrei do quanto você se importava em ver minha alegria. Fazia um tempão que não comia sushi, depois que terminei, chorei. Chorei porque você que me acompanhava nesses desejos loucos e ficava sorrindo enquanto eu me satisfazia. Chorei porque estava com saudade da sua companhia e que por tantas vezes você fez isso por mim e hoje tive que fazer sozinha.

Sei que quer que eu entenda que está sempre ao meu lado, mas por favor, aparece no meu sonho hoje? Fala um pouco do que está sentindo, me dá um abraço bem forte, fica juntinho mais do que os outros dias. É que tô carente de você, carente de quem me entende e sempre esteve disponível para mim e minhas loucuras.

Ô, Pai... Te amo muito, lindo.
Jamais se esqueça que tem um alguém louco pra subir aí também e dizer que você será sempre amado.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

É sexta


E estou te olhando dormir, admirando seu sono, o jeito como você dobra as pernas e como fica encolhido abraçando o cobertor. Estou pensando em tudo que já passei antes de te encontrar, e como você, pra mim, foi um divisor de águas incomparável. Foi aquele que chegou no meu pior momento e conseguiu despertar aqui dentro o melhor que posso ser. 

Estava eu passando por trancos e barrancos, quando de repente você decidiu segurar minha mão e caminhar junto. Logo eu que já estava há tempo demais caminhando sozinha, vagando pela vida e perguntando "é só isso mesmo? só choro?". Você me apresentou um outro lado e posso ser cada vez mais essa mulher de vinte e poucos.

Confesso que você chegou bem no momento que eu me encontrava em uma crise existencial tão grande, mas ainda se surpreendeu com um grão de esperança. Foi aí que se intrigou, já que abri minha vida tão fácil apesar de tudo que contei. Dividi as saudades, as lembranças e tudo aquilo que ainda não tinha acontecido, mas aguardava.

E é sexta, feriado, e não consigo me imaginar em outro lugar a não ser do seu lado na cama digitando e ouvindo nossa música preferida. É que tudo com você vira trilha sonora, tem cheiro bom e me agrada. Tudo vira poesia e dá um tempero novo a minha alma. A mistura do sentimento, com seu abraço, beijo, calor fazem com que eu seja tua, simplesmente.

Ao mesmo tempo que te olho, agradeço tanto a vida por não ter desistido de mim. Por ter me surpreendido, ter me ensinado tanto e por eu ter aprendido a caminhar sozinha também, porque é aí que a gente se encaixa, cada um com seu próprio jeito e tamanho respeito.

Logo eu que tão cedo rodei o mundo, provei um pouco de tudo e parecia, lá no fundo, desanimada com o amor. Logo eu que já não aguentava mais responder sobre solteirice, de jogar a culpa para o mercado masculino e de reclamar aos quatro ventos que já tinha me decepcionado tanto. Você chegou e desfez todos os nós, entrelaçando nossas mãos do jeito mais natural e único. 

Obrigada por me fazer acreditar que o melhor do amanhã é que permaneceremos caminhando lado a lado, projetando o nosso futuro, a nossa vida conjunta e planejando trinta e nove novos destinos até dezembro do ano que vem. Obrigada por simplesmente despertar em mim quem eu sou de verdade, já que há tanto tempo estava no canto sem graça, agora, não mais.

Te amo.